quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Comentário semanal: Ibovespa tem melhor desempenho desde 2009


Em uma semana mais curta devido aos feriados de Columbus Day nos EUA, na segunda-feira (10), e de Nossa Senhora de Aparecida por aqui, na quarta-feira (12), as atenções permaneceram voltadas para o front europeu, com a expectativa pela reunião do G-20, em Paris, além de notícias como o corte de rating espanhol e de diversos bancos do continente. O Ibovespa encerrou o período entre 10 e 14 de outubro em alta de 7,39%- melhor desempenho semanal do índice desde maio de 2009 -, quebrando uma sequência de três semanas no vermelho, aos 55.030 pontos.
As ações Gafisa (GFSA3) fecharam a semana como o principal destaque de alta dentre as ações que compõem o Ibovespa, com valorização de 16,14%, cotadas a R$ 5,90. Registrando alta nos quatro pregões da semana, os papéis GFSA3 apresentaram o maior avanço na quinta-feira (13), quando relataram ganhos de 8,95% naquela sessão. Nenhuma ação do Ibovespa registrou perdas acumuladas na semana.
Petro e ValeAs ações da Petrobras (PETR3+7,59%, R$ 21,41; PETR4+7,32%, R$ 16,64) encerraram a semana com fortes altas superiores a 7%, ajudando a impulsionar o índice. No período, a estatal e a BG Brasil assinaram umacordo de cooperação tecnológica para avançar em tecnologias relacionadas à construção de poços e à otimização da produção de petróleo.
Ainda entre as blue chips, os papéis da Vale (VALE3+6,82%, R$ 44,02; VALE5+7,49%, R$ 41,18) também terminaram o período no azul. Nesta semana, foi divulgado que a mineradora e o DMPN (Departamento Nacionalde Produção Mineral) ainda não entraram em um consenso sobre a dívida de quase R$ 4 bilhão em royalties, referente à produção da companhia entre 2001 e 2007. A decisão tinha como limite o mês de outubro, mas foi adiada em 60 dias, segundo o DMPN.
Zona do Euro em focoA semana começou com os investidores otimistas com a evolução da crise fiscal na Zona do Euro, após a chanceler alemã, Angela Merkel e o presidente francês, Nicolas Sarkozy se comprometerem, durante encontro no último final de semana entre os líderes da Zona do Euro, em entregar um plano com novas medidas para dar suporte aos bancos da região ainda no mês de outubro.
Ainda no início da semana, houve a aprovação do banco franco-belga Dexia pela nacionalização de seu braço bancário belga no varejo por € 4 bilhões, como parte do auxílio para a instituição financeira, o qual também inclui € 90 milhões em garantias de financiamento estatal.
Cortes de projeções e ratings na EspanhaSe o noticiário do velho continente parecia ser positivo no início da semana, o cenário mudou nos pregões seguintes. Isso porque o período também foi marcado por diversos cortes de ratings e notas de crédito postas em revisão pelas agências de classificação de risco. Desta forma, a Standard & Poor’s cortou, na noite de quinta-feira (13), o rating da Espanha em um grau, passando de "AA" para "AA-", com perspectiva negativa, isso é, sujeita a um novo rebaixamento. A agência fez questão de ressaltar que o fator econômico foi o principal ponto que contribuiu para a redução.
Ainda em relação à Espanha, a Fitch Ratings efetuou cortes na classificação de três comunidades autônomas, uma província e três cidades do país. A agência também apresentou um relatório de projeções econômicas para os próximos anos, reduzindo suas estimativas de crescimento para a economia global e também para importantes centros econômicos do mundo, como Japão e EUA.
Já a Standard & Poor's cortou o rating de 10 instituições financeiras da Espanha, entre elas o Banco Santander, cuja nota passou de "AA" para "AA-", com perspectiva negativa. Além destas, outras tiveram suas notas mantidas, mas a perspectiva se alterou para negativa.
E por falar em bancos, a Fitch também reduziu os ratings de longo prazo do banco suíço UBS e dos alemães Landesbank Berlim e Berlim Hannoversch. Outros seis grandes bancos europeus tiveram os ratings colocados em uma lista de observação negativa (Rating Watch Negative), entre eles os franceses Credit Agricole e BNP Paribas e o suiço Credit Suisse. 
A Fitch anunciou ainda o corte na nota de longo prazo das instituições britânicas Lloyds Banking Group e Royal Bank of Scotland, passando de "AA-" para "A", enquanto a S&P reduziu o rating do BNP Paribas em um nível, de "AA" para "AA-", com perspectiva estável.
Ajuda à Zona do EuroA Troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu e Fundo Monetário Internacional) chegou a um acordo sobre as políticas necessárias para guiar a economia grega “de volta ao caminho” e, assim, a próxima parcela de € 8 bilhões provavelmente será liberada no início de novembro, segundo nota publicada pelo Banco Central Europeu.
O mercado ficou atento ainda para o imbróglio envolvendo a Eslováquia, com a expectativa de aprovação do último dos 17 países da Zona do Euro para o processo de expansão do EFSF (Fundo de Estabilização Financeira Europeu), que previa € 440 bilhões para o fundo de resgate da região. Após rejeitarem a decisão  na terça-feira, os parlamentares do país aprovaram a alteração no fundo na quinta-feira.
O presidente da Comissão Europeia, Jose Manuel Barroso, ressaltou que os governos da União Europeia, o BCE (Banco Central Europeu) e a Comissão Europeia devem ter uma ação “totalmente coordenada”, unindo esforços para recapitalizar os bancos. Barroso anunciou um plano requer o levantamento da exposição de todos os bancos sistematicamente importantes ao títulos de dívida problemáticos. Assim, agentes regulatórios então iriam requerer uma maior taxa de capital de alta qualidade cobrindo os títulos problemáticos.
O BCE também alertou que o envolvimento forçado do setor privado em planos de resgate de países do euro seria um risco para a estabilidade financeira, com efeitos negativos para o setor bancário. Além disso, opresidente da autordade monetária europeia afirmou que cabe aos governantes resolverem a crise.
Crise europeia é assunto principal do G-20A crise que afeta a Zona do Euro será o principal assunto tratado durante a reunião do G-20 que teve início esta sexta-feira, em Paris, e deverá durar até sábado. A chanceler alemã, Angela Merkel, pediu cooperação dos países para a aprovação de um imposto sobre as transações financeiras na União Europeia, como forma de aliviar a situação no continente.
Presente na reunião, o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, disse que os governos da Europa devem prestar socorro aos bancos da região para evitar uma nova crise financeira mundial.
Ata da reunião do FomcApesar do foco na União Europeia, os EUA também não saíram do radar. A ata da última reunião do Fomc (Federal Open Market Committee), divulgada nesta semana, revelou que alguns membros da autoridade monetária norte-americana discordaram do tipo de ação que poderia ser tomada para estimular a economia do país.
O documento também revelou que o Fed enxerga "riscos significativos" de desaceleração da economia do país, além de novas informações sobre a Operação Twist, sendo que a maioria membros do comitê quis anunciar o término da operação até junho de 2012, mas autoridade ainda deverá revisar o tamanho do programa e de seu portfólio.
Ainda no front norte-americano, o Senado do país rejeitou o pacote porposto pelo presidente do Barack Obama, no valor de US$ 447 bilhões, para a criação de empregos e também aprovou um projeto de lei que visa punir economias que mantenham suas moedas desvalorizadas para subsidiar suas exportações, como é o caso da China.
Agenda brasileira da semana
No Brasil, o IBC-Br (Índice Mensal de Atividade do BC) registrou 146,39 pontos em agosto, 1,23% a mais do que no mês anterior, enquanto as estimativas anuais levantadas pelo Boletim Focus mantiveram a Selic em 11% neste ano, enquanto para o PIB (Produto Interno Bruto) passaram de 3,51% para 3,50%.
Também por aqui, a FGV (Fundação Getulio Vargas) reportou que o IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado)variou 0,45% na primeira medição de outubro, além de que o IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor - Semanal) da primeira semana deste mês marcou taxa positiva de 0,50%. Já o IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor) apontou variação positiva dos preços de 0,23% na primeira leitura de outubro.
Indicadores econômicos internacionaisNos EUA, destaque para a divulgação do Treasury Budget, que mede o orçamento do governo norte-americano, o qual registrou déficit de US$ 64,6 bilhões em setembro, o seu trigésimo primeiro mês no vermelho. Enquanto isso, a confiança do consumidor norte-americano, medida pela Universidade de Michingan, apontou 57,5 pontos em outubro, resultado inferior às expectativas do mercado.
Já o número de pedidos de auxílio-desemprego reportados nos EUA na última semana, mensurado pelo Initial Claims, registrou 404 mil novas solicitações na semana até 8 de outubro, frente às projeções que giravam em torno de 406 mil pedidos.
Ainda no front internacional, a atividade industrial da Zona do Euro avançou 1,2% entre julho e agosto, contrariando a expectativa do mercado de recuo de 0,8%, enquanto no Reino Unido, embora o número de desempregados tenha atingido seu maior maior nível em 17 anos, os pedidos de auxílio-desempregoaumentaram em 17.500 em setembro, abaixo das projeções de 25 mil novas solicitações.
Na China, o superávit comercial voltou a apresentar queda mensal em setembro. O saldo ficou positivo em US$ 14,5 bilhões, contra US$ 17,8 bilhões em agosto, e US$ 31,5 bilhões no mesmo mês do ano passado.
Câmbio e Renda Fixa
O dólar comercial fechou cotado na venda a R$ 1,730 nesta sexta-feira. Com isso, a moeda norte-americana fechou a semana com desvalorização de 2,32%. Na última sessão do período, a divisa norte-americana registrou o oitavo dia consecutivo de queda - sua maior sequência desde setembro de 2010, quando caiu por 10 sessões seguidas.
No mercado de juros futuros da BM&F Bovespa, o contrato de juros de maior liquidez nesta semana, com vencimento em janeiro de 2013, registrou uma taxa de 10,55%, com alta de 0,12 ponto percentual no período.
No mercado de títulos da dívida externa brasileira, o Global 40, bônus mais líquido, encerrou cotado 132,02% de seu valor de face, alta de 0,26% na semana.
Já o indicador de risco-País registrou queda de 34 pontos-base na semana, aos 220 pontos.
Confira a agenda da próxima semana
Dentro da agenda do investidor para a terceira semana de outubro, os investidores estarão atentos para a divulgação do Livro Bege do Fed, e também ao desempenho industrial norte-americano em setembro. Ainda no front internacional, saíra a minuta da última reunião do BoE (Bank of England)
No cenário doméstico, foco para a reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) que definirá a taxa básica de juro. Por aqui também teremos o vencimento de opções sobre ações e o resultado prévio do IPCA desse mês. 
infomoney

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