O presidente-executivo e do conselho de administração do grupo francês Casino, Jean-Charles Naouri, afirmou considerar a proposta de Abilio Diniz de unir as operações do Pão de Açúcar às do Carrefour no Brasil como "expropriação", publicaram jornais brasileiros nesta quarta-feira.
O executivo, que esteve no Rio de Janeiro na segunda-feira para se reunir com o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, criticou a proposta de fusão, classificando-a como um "erro estratégico" por aumentar a participação de hipermercados na rede de lojas do grupo, contrariando a tendência do mercado.
Além disso, o Carrefour tem concentração muito elevada na Europa continental onde o crescimento econômico é fraco, o que, segundo o executivo, seria uma "má internacionalização" da empresa brasileira.
Naouri também voltou a afirmar que o movimento de Diniz viola o acordo de acionistas que ambos possuem, acusando o empresário brasileiro de ter agido às escondidas durante meses na estratégia de abordar o principal rival do Casino na França.
Segundo o empresário francês, a reunião com o BNDES teve por objetivo argumentar sobre o perigo do governo brasileiro apoiar uma ação ilegal. "Dei a ele (Coutinho) uma visão da situação e das minhas preocupações com o projeto que parece ter sido elaborado em contradição com os acordos (de acionistas) e que, em primeira análise, não está no interesse social (do banco)", disse Naouri ao jornal O Estado de S.Paulo.
O executivo considera o movimento como "expropriação do Casino", cujos direitos foram estabelecidos em contrato em 2005, e afirmou ter saído "muito satisfeito" da reunião com o presidente do BNDES.
O Casino, com quem Diniz divide o controle do Pão de Açúcar, tem dois pedidos de arbitragem internacional contra o empresário em andamento. Diniz e Casino detêm, cada um, 50% do poder de voto na Wilkes, holding criada para controlar 66% do Pão de Açúcar. O conselho da Wilkes deve se reunir em 2 de agosto para discutir os planos de fusão.
Entenda
O grupo francês Carrefour anunciou em 28 de junho ter recebido uma proposta de fusão de ativos no Brasil com os da Companhia Brasileira de Distribuição (CBD), do grupo Pão de Açúcar. A operação precisa ser aprovada pelos acionistas dentro dos próximos 60 dias. O BNDESPar e o BTG Pactual foram os parceiros escolhidos por Abílio Diniz para tentar concretizar a união, em uma complexa operação para não ferir acordo de acionistas.
Diniz e Pão de Açúcar estavam impedidos de negociar diretamente com o Carrefour sem o consentimento do grupo Casino, que detém 43% da rede brasileira, devido a cláusulas do acordo de acionistas firmado em 2006. De qualquer forma, a união entre Pão de Açúcar e Carrefour no Brasil não sairá sem a aprovação do sócio francês. Pelos termos apresentados, a Gama e o BNDESPar formarão a Nova Pão de Açúcar (NPA). Após uma série de etapas, o Carrefour terá sua operação no Brasil incorporada pelo Pão de Açúcar.
A proposta envolvendo o Carrefour no Brasil surge depois que o Pão de Açúcar comprou nos últimos anos Ponto Frio e Casas Bahia, consolidando sua liderança no varejo do País. As duas aquisições ainda não passaram pelo crivo do órgão antitruste, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
A proposta prevê que a aquisição das lojas do Carrefour no Brasil por meio da Gama, fundo de investimentos do BTG Pactual, vai ocorrer com investimento de 1,7 bilhão de euros do BNDESPar e de 300 milhões de euros pelo BTG Pactual, que também vai arcar com dívida de 500 milhões de euros da varejista francesa no Brasil. O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também estuda participar da sociedade, com cerca de R$ 4,5 bilhões.
Fonte: Reuters News
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